Morre Após 15 Anos Trancada em um Quarto Apertado

Bizarro

Uma mulher de 33 anos foi encontrada morta em um quarto escuro e apertado no fundo da residência de seus pais no sudoeste japonês.

Uma história que já soa bizarra, mas se torna mais terrível a medida que, segundo os veículos de informação locais, a jovem teria morrido de hipotermia, com o corpo nitidamente em um estado critico de desnutrição.

Segredo de Família

No último sábado (23 de Dezembro de 2017), a policia foi chamada até a casa do senhor Yasutaka Kakimoto, de 55 anos, na cidade de Neyagawa, província de Osaka. Após inspecionarem o local, encontraram o corpo de uma jovem, extremamente magra e com a pele cheia de cicatrizes e inchaços. o corpo era de Airi Kakimoto, filha do dono da casa.

“Nossa filha era deficiente mental e, quando tinha 16 ou 17 anos, ela se tornou violenta, então a mantivemos dentro do quarto.”

A historia contada pelo senhor Kakimoto era difícil de acreditar. Durante longos 15 anos, ele manteve a filha aprisionada em um quarto de cerca de 3m², sem calefação e com uma porta que abria apenas pelo lado de fora. E a decisão não foi apenas dele, mas uma decisão feita em família.

Junto com sua esposa, Yukari, de 53 anos, resolveram trancar Airi ainda na adolescência, pouco antes de seu aniversário de 17 anos, devido a um suposto problema mental que lhe provocava surtos de violência.

O quarto teria sido construído pelo próprio pai da garota e tinha um banheiro improvisado. Esse quarto era conectado por tubos a um taque, que ficava na parte externa da casa, por onde a jovem conseguia beber água. Com o passar dos anos, várias câmeras de segurança foram colocadas no local de confinamento. Airi Kakimoto passou uma década e meia sem nenhum contato com o mundo exterior e mal tinha contato com seus pais.

A história foi contada pelo acusado. Ainda admitiu que a moça recebia apena uma refeição ao dia, o que explica a nítida inanição.

A autopsia constatou que a jovem havia morrido pelo menos 5 dias antes do corpo ser encontrado. Airi tinha pouco menos de um metro e meio de altura e pesava apenas 19 kgs no momento de sua morte.

Yatsutaka e Yukari Kakimoto estão presos. Foram acusados de abandono de cadáver até que as autoridades reúnam todas as evidências a fim de fomentar acusações bem mais sérias.

Estigma de Doença Mental no Japão

No Japão, doenças mentais são vistas de forma extremamente estigmatizada, como pessoas realmente estranhas, esquisitonas. Grande quantidade de professores e profissionais, assumem que pessoas com problemas mentais não estão realmente com uma patologia, mas dominadas por algum “mal”. Seus comportamentos são justificados como consequência de falta de caráter ou simplesmente por serem “idiotas”.

Em 2013, um artigo científico chamado “Review of mental-health-related stigma in Japan” reuniu diversos estudos relacionados com o tema. Os estudos mostram que a população em geral, no Japão, acreditam que as pessoas não podem se recuperar de problemas mentais. A maioria dos japoneses buscam uma distância social de pessoas com doença mental, principalmente se for de um familiar muito próximo. Esse estigma se mostrou ainda mais comum em pessoas idosas.

Este caso mostra que o estigma fantasioso pode afetar até uma população composta principalmente por pessoas esclarecidas. O medo do casal Kakimoto  de que as pessoas descobrissem que sua filha tinha uma doença mental era mais forte do que a capacidade de procurar um tratamento para ela. Todavia, eles alegaram que ela era extremamente violenta. Será que é por isso que colocaram as câmeras? Para que ninguém entrasse ou para que ela não saísse?

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Com notícias do ISTO É, G1, IOL e Japan Times.