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Bonecas Humanas: A perturbada Obsessão de Anatoly Moskvin

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Cemitério é o local para o ultimo descanso do corpo, para trazer paz e tranquilidade para aqueles que ali estão. Ao menos é isso que se espera. Mas na Rússia, no ano de 2010, a paz desse lugar foi perturbada por uma figura misteriosa que violava o tumulo de jovens retirando seus restos mortais de suas tumbas. Levando-os então para um mórbido ritual.

Contem imagens fortes, não recomendado para pessoas sensíveis.

Túmulos Violados

Entre os anos de 2010 e 2011, a cidade de Nizhny Novgorod, na Rússia, viveu uma estranha onda de crimes. Túmulos estavam sendo abertos cadáveres sumiam na calada da noite. A repercussão dos crimes cometidos nos cemitérios locais foi tanta, que uma investigação oficial começou no final do ano de 2010 pelo Ministério do Interior russo. As características incomuns do caso levou a polícia a acreditar que poderia haver um culto satânico por trás das profanações. Isso pois os túmulos eram sempre de garotas, crianças e adolescentes entre 2 e 18 anos. Aparentemente nada ligava as vítimas além da perturbação de suas sepulturas.

Uma Descoberta Apavorante

Na noite de 02 de Novembro de 2011, a polícia encontrou um objeto estranho na garagem do prédio de um dos suspeitos investigados no caso, no distrito de Leninsky, em Nizhny Novgorod. Após checarem o objeto, que parecia uma boneca de pano de tamanho médio, descobriram se tratar de um cadáver mumificado. A garagem pertencia ao apartamento de Anatoly Moskvin, um pesquisador de 45 anos, que até pouco tempo procurou a polícia se oferecendo para ajudar no caso do roubo de cadáveres. Mas seu interesse incomum chamou a atenção dos investigadores locais.

Anatoly, preso após a descoberta em seu apartamento.

Ao entrar no apartamento, os policiais mal podiam se locomover. A quantidade de livros, entulhos e bonecas espalhadas pela casa era algo inacreditável. Ao todo foram encontradas 28 “bonecas” feitas sob os restos mortais das meninas e adolescentes.

Acomodadas pelos cantos da casa haviam 28 bonecas feitas com restos humanos.

Deitadas, sentadas, vendo TV ou tomando chá com outros brinquedos, as bonecas de Anatoly eram mais do que uma visão assombrosa para os policiais e peritos que ali entraram. Era o trabalho bestial de um homem perturbado.

Uma das bonecas ainda no apartamento, acomodada em um sofá no meio de vários livros e roupas.

Dando “vida” as Bonecas

O roubo de cadáveres era apenas uma parte do ritual bizarro que Anatoly submetia os corpos para mumificação. Depois de limpos, os corpos eram embalsamados para evitar a decomposição, vestidos e adornados de forma cuidadosa. Algumas das “bonecas” tinham serragem em seu interior para dar mais forma aos corpos. Já em outras, Anatoly colocava uma pequena caixa de música, fazendo tocar melodias infantis como se elas cantassem para ele.

Vestidas das mais diversas formas, com vestidos e adornos cuidadosamente colocados por Anatoly.

Enquanto eram retiradas do apartamento, um policial tentou mover um tipo de urso de pelúcia, o qual também continha um cadáver em seu interior. De repente, uma música começou a tocar.  Se tratava da canção “Urso adora mel”, uma famosa cantiga Russa que emanava de dentro do urso. Todos na sala ficaram surpresos e incomodados, com essa situação bizarra.

Algumas delas com caixinhas de músicas em seu interior “cantaram” quando retiradas do apartamento.

Um homem obcecado pela morte

Anatoly durante a visitação à um cemitério. Tendo visitado 752 cemitério, criou um guia sobre o tema.

O que mais chama atenção no caso, alem de toda morbidez é que Moskvin era um pacato cidadão com gosto peculiar pelo oculto. Doutor em cultura céltica, Anatoly fala 13 linguás, incluindo celta, era professor de um museu local, escritor de diversos livros e conhecido como autoridade em cemitérios na Rússia, tendo escrito um guia após visitar 752 cemitérios na região. Descrito como solitário e estranho, o homem de aparência pacata e inteligência acima da média era declaradamente um aficionado pela morte e o oculto, como ele costumava se chamar, era um “necropolista”, um especialista em necrópolis (lugares destinados a sepultamentos).

A obsessão pela morte teria começado depois de um episódio marcante na infância. Quando, ao passar por um cortejo fúnebre de uma garota que estava sendo levada ao cemitério, Anatoly, com 11 anos, foi puxado por um homem e obrigado a beijar a testa fria da menina morta.

Um historiador ávido que escreveu (e ainda escreve) para revistas e jornais, Anatoly fala em um de seus artigos a sobre a fabricação de bonecas pelo polo do alto do rio Volga:

“Entre as bonecas de pano produziam-se, principalmente  as do sexo feminino. Nas aldeias, a imagem preferida das bonecas de pano era a feminina (…). O material básico para fabricação das bonecas era o pano, mas há casos onde foram utilizados paus, galhos, palha, argila, papel e areia (…). O cabelo, muitas vezes, era feito de cabelo humano.”

Trecho retirado do artigo Fabricação de bonecas da região de Nizhny Novgorod e do alto do Volga em meados do século XIX e inicio do século XX.

Parte do artigo escrito por Anatoly sobre o povo do alto rio Volga.

Sabe-se que Anatoly Moskvin tentou adotar uma criança, uma menina, mas  teve o pedido negado pelo concelho tutelar russo. Para a polícia, Moskvin afirmou:

“Eu realmente queria uma menina, uma filha. Mas o juizado não deixou. Portanto, eu e todas essas bonecas éramos crianças. Eu vivia com elas como vivia com os vivos, mostrava-lhes desenhos animados, contava histórias de ninar(…).”

O julgamento

Anatoly foi julgado em 25 de maio de 2012 pelos crimes de violação e profanação de túmulos e cadáveres. Avaliações psiquiátricas foram feitas e durante o julgamento, nesse período ele ficou o tempo todo atrás de uma jaula de ferro, falando coisas desconexas em um ritmo frenético, sem pausas. O que fez com que aqueles que lhe escutavam terem certeza quanto sua insanidade.

“Eu fiz isso para que a ciência pudesse reanimá-las posteriormente (…). A genética desenvolve-se num ritmo muito rápido. Foi somente por isso. Eu fiquei muito triste por todas elas. Eu só queria ter algum material para o futuro da clonagem. Para que todas que essas crianças pudessem viver uma segunda vez.” (Parte do discurso de Anatoly em seu julgamento)

Ao final do julgamento, Anatoly Moskvin foi sentenciado a internação compulsória em um hospital psiquiátrico longe da sociedade. Apesar de que alguns profissionais da saúde mental não acreditarem que Anatoly fosse realmente louco, tendo manipulado o laudo médico para escapar de uma sentença mais dura. Com o decorrer dos anos, teve quatro pedidos de liberdade negados e, em 2017, o tribunal de Nizhny Novgorod prorrogou a internação ate 2018, quando uma nova avaliação será feita para saber se ele está apto ou não para conviver em sociedade.

Para encerar, um vídeo feito pela policia. Nele é possível ver as bonecas e o apartamento de Anatoly Moskvin.

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